Ataque dos Cães

“Ataque dos cães” é um dos filmes mais sutis que eu já contemplei em minha curta carreira como apreciador da sétima arte. Muitos dos temas mais polêmicos do mundo atual estão nesta trama e podem ser discutidas em seus atos. Em poucos filmes pude perceber que o roteiro não quer ser tão “liberal” da mesma forma como o seu protagonista age fazendo de tudo para não mostrar o que está por traz de seu estereótipo de “Cowboy” do interior.

Aos poucos entendemos a motivação de ‘Phil Burbank’, personagem interpretado pelo inconfundível “Benedict Cumberbatch”. Entretanto, antes de enxergá-las (isso apenas acontece no final do terceiro ato) o roteiro, junto com a trilha sonora e a atuação de seus coadjuvantes nos provocam um incontrolável senso de tensão a ponto de pensarmos que um grande desastres irá acontecer e tentamos não ser surpreendidos com um senso de autodefesa que a produção propositalmente ativa em nós. Despertar esse tipo de sentimento através de um filme e digno de louvor e admiração.

Destaque para Kirsten Dunst (Rose Gordon) que nos mostra a melhor atuação de sua carreira, ela nos fornece um excelente antagonismo com Cumberbatch, algo muito sentimental e digno de ‘Oscar’. Mas a motivação dessa grande rivalidades não é explicada nem mostrada ao longo do filme, apenas no final (e olhe lá) temos algumas conjecturas plausíveis.

Conclusões e predisposições que parecem nos levar a um caminho neste trabalho são completamente invertidas e a forma como isso é mostrado em tela é fenomenal. Tudo é muito sutil (um olhar, um gesto) não temos aqui explosões dramáticas de atuações vindas de um elenco clamando por um ‘Oscar’. A discrição anda junto com a camuflagem do protagonista que não deixa claro o seu próprio objetivo assim como o próprio roteiro. Toda essa complexidade faz de “Ataque dos cães” ser um dos melhores trabalhos de 2021, e escrevo isso com um grande pesar no coração pois o tema principal da trama é algo que eu não gosto de discutir, mas me rendo a tamanha perfeição em termos de adaptação literária, atuação, produção, e claro, uma perfeita direção.

Joinhas:

5

Por:

@eduardomontarroyos

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