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Em Nome de Deus

Seguindo a denúncia apresentada em dezembro de 2018 no programa Conversa com Bial, o médium autointitulado João de Deus foi acusado e condenado por crimes de abuso sexual em centenas de mulheres e posse ilegal de armas. A derrocada do religioso foi uma surpresa para muitos, mas já esperada por vários.

O que ficou claro, a cada depoimento, foi o motivo da impunidade por mais de quarenta anos: o silêncio. A linha do tempo traçada juntamente aos fortes depoimentos revela uma imagem diferente do presente no imaginário popular de muitos brasileiros: um homem poderoso e inescrupuloso.

A divisão de episódios é bastante bem pensada neste trabalho, em cada bloco vemos um tema diferente relacionado ao escândalo, todos bem elucidativos e com depoimentos chocantes e ao mesmo tempo bastante relevantes ao contexto geral da trama. A pesquisa feita com imagens e entrevistas são editados de uma forma que todos (até aqueles que nem conheciam o médium) entendem desde quando tudo começou.

“Em Nome de Deus” não é uma série fácil de assistir. Mesmo muito bem montada e com pouquíssimos episódios, o tema é muito tenso. A série mistura o entretenimento dos programas sobre crimes reais e o fundamental papel do jornalismo, como fala ‘Pedro Bial’ na série: “Dar voz para quem não tem”. As vozes estão lá, nos resta ouvir e garantir que cenas como aquelas nunca mais se repitam na nossa sociedade. Nunca mais o silêncio. Este é o principal “vilão desta série”. O silencio mantido por mais de quarenta anos fez com que essa história fosse levada a tona apenas agora. As “principais personagens” são as vítimas desta história, quando finalmente são ouvidas.

Apesar de uma linha temporal excepcional o final desta série fica bem “aberto”, pois o médium “João de Deus” permanece em prisão domiciliar, algo que a série deixa claro ser inadmissível diante da quantidade de provas contra ele. Seu final faz o público e os participantes clamarem por justiça, algo que para os ricos e poderosos ainda é uma realidade distante no Brasil.

Joinhas:

4

Por:

@eduardomontarroyos

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