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O Diabo de Cada Dia

A trama do filme começa a ser contada a partir de um universo de pais e filhos. Willard Russell (Bill Skarsgård) volta traumatizado para a cidade depois da Segunda Guerra Mundial. Junto com seu filho Arvin, o homem que deposita todas suas fichas na fé cristã, assim como a maioria da cidade.

Pouco depois o filme já nos apresenta Arvin (Tom Holland) mais velho, vivendo na cidade e cuidando de sua irmã, Lenora (Eliza Scanlen), que teve sua mãe assassinada por um pastor.

Antônio Campos, diretor de filmes não tão famosos em Hollywood, cai nas graças da ‘Netflix’ ao nos entregar um filme para lá de dramática com a uma carga de tensão bastante presente. No melhor estilo “Crash- No limite” existem várias pequenas histórias ligadas entre si, mas essas ligações são bem trabalhadas e com um grande sentido no roteiro. É impossível não se encontra ansioso e até inseguro ao contemplar o andamento deste trabalho. Suas cenas e diálogos tensos colocam um “tempero” na trama difícil de encontrar em muitos filmes até do gênero: terror.

As tramas mostram que o drama da realidade pode ser ainda mais assustador que muitas histórias fictícias apreciadas no cinema. O foco em “Alienação Religiosa” é o mais presente na trama, até as cenas de uma dupla de psicopatas carregam a desculpa que todos os seus atos são tentativas de “enxergar a Deus”. A forma como o falso moralismo aproveita-se da ingenuidade de alguns personagens é incrivelmente bem retratada em todos os seus atos.

E o que falar do elenco?! É de dar inveja a qualquer diretor. Todos estão inteiramente comprometidos. Tom Holland nos mostra que pode ser muito mais que o “Homem-Aranha”. Seu protagonismo é muito sustentável. O jovem ator “carrega o segundo e terceiro ato nas costas”. Do lado antagônico temos o inusitado Robert Pattinson que em cada trabalho de sua carreira, mostra que está preparado para tudo. Sua atuação nos faz sentir nojo de seu personagem, ficamos perplexos e encantados ao mesmo tempo com tamanho talento e dedicação. Todos os outros não deixam a desejar. Faço mais um destaque: Harry Melling (O Duda, de Harry Potter) que surpreende e nos choca com sua peculiar performance, sua atuação no longa é tão chocante que em algumas cenas torna-se até cômico.

“O Diabo de cada dia” é preciso e fechado. Seu final é um dos mais criativos e inusitados que já presenciei em tela. A trama nos cativa desde o primeiro ato. Campos cumpre seu papel e entrega um dos melhores trabalhos de 2020.

Joinhas:

4

Por:

@eduardomontarroyos

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