O Telefone Preto

“O Telefone Preto” chega aos cinemas de todo o Brasil a partir desta quinta (21). O longa nos trás um trabalho bastante inserido no contexto dos ‘anos 70’, no interior (sombrio) dos EUA. Todo o seu trabalho a fim de nos apresentar esta década memorável é bem projetado pela produção. Os primeiros vinte minutos são bastante significativos nesta montagem de fatos iniciais. Já começamos a sentir a tensão de ter um “Serial Killer” por perto daquela pacata cidade.

Temos um roteiro redondo quando o assunto é: Fechamentos dos arcos. Entretanto o longa “brinca” até demais com a nossa “Suspensão de descrença”. Sinceramente, eu não me refiro aos seus fatos sobrenaturais, porque até esses são muito bem explicados e isso podemos aceitar na trama sem nenhum tipo de problema. Entretanto, falo especificamente na montagem de todo o seu segundo e terceiro ato na questão de dos detalhes do sequestro: Esses, visto por parte da vítima (Finney): Eles são arquitetados a fim de escapar do sequestrador sem que este não perceba em nenhum momento que o seu prisioneiro (que é uma criança) está tramando alguma coisa. Tal escolha de roteiro é fazer com que o vilão da história subestime o sequestrado demais. Algo que beira a incompetência e inexperiência, mas a própria história clama em mostrar que o vilão tem demais, devido a suas ocorrências passadas.

Enquanto está preso, Finney cava buracos, arranca grades de janelas e muda vários elementos de lugar. E em nenhum momento o sequestrador percebe ou se quer ouve o barulho de suas ações suspeitas. Sem contar que o próprio irmão do Serial Killer convive com ele na mesma casa em que mantém suas vítimas e o mesmo nunca percebeu as atitudes de seu irmão psicopata, e ainda temos a informação que esse é (no mínimo) o seu sexto sequestro naquele mesmo local.

Tais atitudes, que podemos chamar de “furos de roteiro” abusam muito da nossa “suspensão de descrença”. Claro que tudo isso poderia acontecer, mas são deslizes preguiçosos que apenas facilitam a trama andar mais rápido sem nenhuma explicação plausível. Tais escolhas fazem com que o filme seja apenas mediano. Para quem gosta de “sustos” e uma boa produção de terror, essa ainda é uma boa opção. Mas vá ao cinema sem nenhuma pretensão de lógica, pois isso não existe neste filme.

Joinhas:

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Por:

@vini.ventura23

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