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Tenet

Um agente da CIA conhecido como O Protagonista (John David Washington) é recrutado por uma organização misteriosa, chamada Tenet, para participar de uma missão de escala global. Eles precisam impedir que Andrei Sator (Kenneth Branagh), um renegado oligarca russo com meios de se comunicar com o futuro, inicie a Terceira Guerra Mundial.

A organização está em posse de uma arma de fogo que consegue fazer o tempo correr ao contrário, acreditando que o objeto veio do futuro. Com essa habilidade em mãos, O Protagonista precisará usá-la como forma de se opor à ameaça que está por vir, impedindo que os planos de Sator se concretizem.

Nolan está de volta! Trazendo, mais uma vez, suas inovações e peculiaridades e praticamente salvando o mercado nas telonas em 2020. Com certeza a estreia do seu longa foi uma ameaça aos outros ‘Blockbuster’, pois tal insistência com a data em setembro fez os filmes de outras distribuidoras quase todos serem adiados para o próximo ano. O diretor mantém seu amor e compromisso com o cinema quase que de forma religiosa, pois a forma como ele tem familiaridade com a película o torna um dos diretores mais ‘originais’ da atualidade.

A produção, como sempre, bastante assertiva. Suas montagens de cena e a forma como é mostrado as passagens e inversões de tempo numa mesma cena é algo inovador e jamais visto em tela. O grande problema está entre a edição e mixagem de som: Embora a edição seja quase impecável, a mixagem deixa muito a desejar quando ele tenta (propositalmente) abafar as vozes dos personagens em cenas de grande barulho para valorizar a edição de som. Quando o longa é legendado, isso não é problema (podemos ler todas as falas), mas assistir tal obra com o áudio original e sem legendas deve ser uma tortura para qualquer um. Tal escolha (a fim de trazer mais realismo) é um ‘tiro que sai pela culatra’, e mais do que nunca reparamos isso neste trabalho. A trilha sonora está impecável, porém seu volume é estrondoso.

O longa traz o melhor e o pior de Nolan: O melhor é a forma carinhosa e inovadora como ele trata o cinema: A trama é tão complexa que nos convida a uma segunda vista nos cinemas apenas para contemplar os detalhes. Como um quadro que pode ser admirado por meses. Entretanto seu maior problema está na falta de empatia que ele (quase sempre) tem com os personagens. Mais uma vez a falta do irmão Jonathan Nolan assinando o roteiro é sentida (desde Dunkirk). É como se tirassem o ‘coração’ um pouco de carga dramática no filme. A trama, suas sub-tramas e os inúmeros ‘plots’ faz de Nolan ‘o personagem principal’. Saímos do filme pensando somente no diretor e não em seus personagens. Embora a atuação de David Washington, Pattinson, Debicki e Branagh sejam muito comprometidas, elas não sufocadas por um roteiro técnico que não os valoriza.

Vale a pena? Mais é claro! Principalmente no contexto que estamos vivendo! A obra como um todo é bem complexa e intrigante, sua produção é de muita qualidade e o filme faz jus ao nosso ingresso na, principalmente na IMAX. Essa é uma excelente escolha para marcar a volta aos cinemas em 2020.

Joinhas:

3

Por:

@eduardomontarroyos

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